Mostro até castelo, mas sem príncipe.
Vendo até sonho… financiado.
Não vendo terreno em Marte. Ainda.
Não é bruxaria, é localização privilegiada.
Se tiver planta baixa, já me apaixono.
Metade do coração, metade comissão.
Lar é onde a escritura tá.
Falo mais de imóvel que de mim.
Financiamento é meu jeitinho de amar.
Não dou o golpe, dou as chaves.
Corretor não mente, valoriza.
Sonho em metros quadrados.
Tour virtual? Só se tiver café.
Posso até ser frio, mas o imóvel é quente.
Me chama de corretor e me dá entrada.
Vendendo imóvel e comprando paciência.
Paixão à primeira visita.
Aqui não tem crush, tem cliente.
Planta humanizada, corretor desumanizado.
Minha vibe? “Aceita proposta?”
Vendo imóvel, não milagre.
Se for pra iludir, que seja com varanda gourmet.
Mostro imóveis e também a realidade.
Me chama de corretor e some depois.
Quer tudo e não tem entrada: chama o Papa.
Não dou conta nem do boleto, imagina da chave.
Coração tá alugado. IPTU incluso.
Cliente quer mansão com preço de kitnet.
Corretor sofre mais que parcelamento em 360x.
A vista é linda, o financiamento nem tanto.
Quem ama, agenda visita.
Mostrei 12 imóveis, ganhei um “vou pensar”.
Corretor também chora no banho.
Vende até barraco, só não segura sentimento.
Não aceito troca por carro, ex ou ilusão.
É casa ou é cilada?
Planta baixa, autoestima também.
Sem entrada, sem conversa.
Cansado de vender sonho e morar no aluguel.
Se achar outro igual, me avisa que eu compro.